SUS passa a oferecer novo método contraceptivo de longa duração

PUBLICIDADE

SUS_contraceptivo
divulgação

A partir do segundo semestre de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai incorporar um novo método contraceptivo à sua lista de opções gratuitas. Trata-se de um pequeno bastonete inserido sob a pele do braço, capaz de liberar hormônio continuamente por até três anos, prevenindo a gravidez com alta eficácia. O método representa um avanço quando se fala em saúde reprodutiva e planejamento familiar no Brasil.

Com uma taxa de falha estimada em apenas 0,05%, o implante subdérmico é considerado um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis atualmente. Além de não exigir uso diário, como as pílulas, ou mensal, como as injeções, também disponíveis no SUS, o implante oferece ainda a vantagem de ser reversível — ou seja, após a retirada, a fertilidade retorna normalmente.

Mas o que é este método, como ele funciona, quais seus benefícios e quais reações adversas as mulheres devem ficar atentas? A Dra. Nataly Campos, Ginecologista e Obstetra, docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco reforça a importância do cuidado ao optar pelo medicamento.

O que é o Implante subdérmico e como ele funciona?

É um pequeno bastonete flexível – tem aproximadamente 4cm de comprimento – e é inserido sob a pele do braço. “Ele libera continuamente o hormônio sintético etonogestrel, derivado da progesterona, que impede a ovulação, altera o muco cervical e torna o endométrio menos propício à nidação”, afirma a Dra. Nataly.

Quais os seus benefícios?

De acordo com Nataly, o novo método de longa duração pode ser utilizado por até três anos sem a necessidade de intervenção diária ou mensal. “Ele é o método mais eficiente que temos no mercado, sua taxa de falha é baixíssima, cerca de 0,05%, sendo mais eficaz que a laqueadura, por exemplo. Além disso possibilita a reversibilidade, ou seja, após a sua retirada a fertilidade retorna rapidamente”, acrescenta a médica.

Por que o SUS decidiu oferecer o Implanon?

Na percepção da Dra., a incorporação visa ampliar o acesso a métodos contraceptivos eficazes, especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade. “A oferta gratuita contribui para reduzir a gravidez na adolescência, gestações não planejadas, índice de cesárea, entre outros pontos que influenciam diretamente no aumento da taxa de mortalidade materna no Brasil. Com a incorporação desse método temos como meta diminuir em 25% os óbitos gerais alinhando-se com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”, pontua a especialista da Afya Centro Universitário de Pato Branco.

Quem poderá receber o implante subdérmico no SUS?

Qualquer mulher que tenha indicação clínica para o uso de etonogestrel subdérmico pode solicitar o medicamento nas Unidades Básicas de Saúde. “A priorização será a partir de critérios como idade, histórico reprodutivo e comorbidades, conforme políticas municipais e estaduais”, destaca.

Como é a aplicação e quem pode realizá-la?

A inserção é simples e indolor. Ela é feita com anestesia local, em ambiente ambulatorial, por profissionais de saúde habilitados. A capacitação prevê formação teórica e prática com as equipes da Atenção Primária.

Quais os possíveis efeitos colaterais?

Segundo a especialista, podem ocorrer alterações no ciclo menstrual, tais como sangramentos irregulares, ausência da menstruação, sensibilidade ou dor no local da inserção, e, menos comumente, alterações de humor ou libido. “A consulta médica individualizada é essencial para orientar e acompanhar cada caso, principalmente na avaliação das indicações e contraindicações”, ressalta.

E se a mulher desejar engravidar?

“A fertilidade costuma retornar rapidamente após a retirada do implante caso exista o desejo de gestar. O dispositivo pode ser tanto removido quanto substituído pela equipe do SUS na mesma consulta, a depender do interesse da mulher”, lembra.

Ele substitui outros métodos contraceptivos do SUS?

A médica conta o SUS continuará oferecendo os demais métodos. “Entre eles, os preservativos, pílulas (combinadas e de progestagênios), injetáveis (mensal e trimestral), DIU de cobre, laqueadura e vasectomia. O implante amplia o leque com mais uma opção de LARC – método reversível de longa duração)”, finaliza a Dra. Nataly.

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima